Tem palhaço de nariz vermelho e palhaço sem nariz. Pintado e de cara limpa. Desarrumado e mauricinho. Tem palhaço alegre e palhaço triste. Engraçado e desengonçado, sem graça e empertigado. Tem palhaço de festa, de palco e de picadeiro. Tem palhaço de rua, tem palhaço que vive no mundo da lua. Tem palhaço anjo, palhaço demônio. Têm uns lindos, outros medonhos. Tem palhaço que fala, tem palhaço que cala. Aqueles que emocionam – os líricos! -, e aqueles enfadonhos. Tem palhaço que encanta e palhaço que espanta. Tem palhaço que canta e toca vários instrumentos. Dança, rebola, faz mil cabriolas. Tem palhaço que nada faz e nos mata de tanto rir. Tem palhaço aqui, tem palhaço ali. Tem palhaço no escritório, no canteiro de obras e no hospital. Uns dão aulas, outros se dão muito mal. Tem palhaço que come o pão que o diabo amassou, tem palhaço em gabinete até de senador. Tem palhaço velho, palhaço novo... palhaço que nem bem saiu do ovo. Palhaço homem, palhaço mulher... palhaço que faz o que bem quer. Palhaço que grita, palhaço que irrita; quele que faz charme, aquele que faz fita. Tem acrobata, pateta, tem até psicopata. Uns sozinhos, outros em bando, alguns em passeata. No carnaval, no canavial, na aldeia, no morro, no lixão. Uns que vão de limusine, outros de caminhão. Tem palhaço no pólo norte e palhaço no pólo sul. Tem quem faz funambulismo na linha do equador. Tem palhaço que dá ódio, palhaço que é um amor. Tem palhaço que está fora, palhaço no interior. Tem aqueles que a gente vê e logo-logo esquece. Aqueles que morreram, mas não desaparecem.
Eita, mundão cheio de palhaço!






Romana Melo
Qui 25 Mar 2010 20:14