agora é "O Mão de Vaca".  escrito em quarta 11 novembro 2009 16:05

Os últimos ensaios, que antecederam nossa festa de aniversário, foram mais ensaios de música. A gripe pegou alguns atores, um deles nosso Harpagon. Já temos quatro canções prontas, faltando ensaiar um pouco mais. Em breve estarei postando as músicas com as respectivas letras.

Ah, também nestes ensaios passamos as últimas cenas do espetáculo, o que nos deu um vislumbre do todo. Utilizamos neste dia, para trabalhar o final, um jogo aplicado pela Alessandra no aquecimento, em que os atores diziam uma palavra ou frase do texto e os demais reagiam a ela e se deslocavam carregando seus bancos num troca-troca de lugar pelo espaço do anfiteatro. Foi bem bacana o jogo, deu uma energia legal e na hora de marcar a cena final propus algo parecido, o que resultou numa desarrumação da cena de fundo, muito arrumadinha, e uma série de possibilidades de ações dos personagens. Muita água passará ainda por debaixo da ponte - ou por debaixo dos bancos.

Ontem, depois da ressaca da festa dos 11 anos dos Palhaços Trovadores, voltamos à praça da República. A noite estava linda, o anfiteatro iluminadíssimo, como nunca dantes. Alguns amigos apareceram e um deles, Fernando Sampaio, postou um comentário sobre o ensaio no seu blog (que está agora linkado aqui neste). Resolvi reproduzir aqui este comentário - e os comentários sobre seu comentário -, no lugar de qualquer outra coisa que eu possa falar sobre o ensaio de ontem.

 

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Palhaços Trovadores

Belém, 10 de novembro de 2009

Passei noite agradabilíssima no ensaio aberto da peça O Mão de Vaca, convite carinhoso do Marton Maués, espetáculo que será encenado pelos Palhaços Trovadores em fevereiro de 2010. A peça é adaptação de O Avarento de Moliere, texto antigo com tema sempre atual, a usura e o apego ao dinheiro mostrados de uma forma cômica. O local do ensaio não poderia ser melhor: o anfiteatro da Praça da República em noite tranqüila e serena, ponto da cidade que é tido como impossível por muitos, medo de violência que muda os caminhos.

Palhaços presentes, cada qual com seu banquinho, sacolas e adereços no chão, tem início uma conversa restrita com os integrantes da trupe, todos reunidos nas escadarias do palco a céu aberto, hora de palhaço falar sério e arrumar a casa.

Terminado o papo começa um processo de transformação, cada qual em metamorfose para incorporar seu personagem. E quanto mais se vestem de palhaços, mais curiosos chegam ao local, todo o tipo de gente formando
público heterogêneo, público ideal para o teatro. Ao nosso lado se instala uma família, pai e mãe namorando, os filhos ao redor rindo das peraltices do atores. Do outro lado um grupo de estudantes, meninos ainda, todos calados e respeitosos. Há ainda um morador de rua que ri bastante de tudo, atento. E por todos os cantos muitos curiosos, passantes que arranjam um tempo para ver a arte que se faz.

No meio do ensaio, diretor e atores se deparam com dúvida sobre como
encenar determinado diálogo. Dúvida surgida, solução fácil na manga – os palhaços se dirigem ao público e perguntam: “O que vocês acham? Como vocês acham que devemos fazer?”. Surpresos, pegos da supetão, poucos ousam uma resposta. Mas basta uma opinião para que todos comessem a dar seu palpites, teatro em praça pública, teatro para o povo (nesta hora pensei: quantos aqui já devem ter ido ao teatro? Poucos, certamente. E hoje estão aqui, público que também é diretor, ator, palhaço).

No final, gostei muito do que vi! Os Trovadores mostrando atitude, teatro feito sem a hipocrisia de ser somente elite, teatro que sempre é bom e de todos. E fico feliz por perceber que, apesar de sempre inovar, os palhaços continuam fazendo o que sempre fizeram – bom teatro e bom riso!

Notas práticas - No sábado, 07 de novembro, os Palhaços Trovadores
comemoraram 11 anos de atividade com uma bonita festa. Neste 2009 eles ganharam uma sede própria que precisa ser reformada. E em 2010 serão tema da Escola de Samba Bole-Bole, o enredo Palhaços Trovadores: A Poesia do Riso na Passarela do Samba. Haverá uma ala reservada para os amigos, a Ala do Patarrão (em homenagem ao espetáculo "A Morte do Patarrão"), e desde já todos estão convidados.

E os ensaios continuam abertos, todas as terças e quintas, sempre perto das 20 horas no anfiteatro da Praça da República. Os Palhaços, como sempre, de braços abertos!

Comentários:

Luana C. disse...

Eles são demais. Super engraçados e esforçados. Bons atores e ótimos palhaços...alguns mais expressivos do que outros, é verdade! Mas todos humildes em querer saber a opinião dos presentes na plateia!

O diretor, como qualquer outro que gosta e sabe o que está fazendo, atento ao menor "erro" e mandando voltar a cena, sempre quando queria experimentar algo novo.

Foi uma ótima experiência. Gostei de verdade! Obrigada! rs.

11 de Novembro de 2009 03:09

 

Tanto! disse...

Na verdade, acho que não se trata de mais expressividade de uns ou outros. Acontece que cada um dos que está assistindo se identifica mais com um palhaço, passando a preferi-lo. Por exemplo, os que eu mais gostei certamente não são os que outros mais gostaram. Acho que todos são, sim, muito expressivos, só rolando muito esse papo de empatia!

No mais, foi bom ter ido em fase bem inicial da preparação toda, ensaios ainda embrionários, textos sendo decorados, alguns erros, mas ver o espetáculo nascer.

11 de Novembro de 2009 10:43

 
Anônimo disse...

É como o Diretor Marton nos falou, quando os caras estiverem com o texto 'redodinho', na ponta da língua, vai ficar 100% pq eles são naturalmente divertidos e talentosos e as ' sacadas' do texto serão melhor interpretadas.

Foi a primeira vez que eu ví um ensaio de um grupo teatral e achei otimo. Tem que amar a arte, vamos combinar. Eu além de não ter talento penso que não teria essa capacidade de ensaiar tanto a mesma coisa. Mas ver, é comigo mesmo rs

Alguns ficam irrenconhecíveis descaracterizados, e nem é tanto pela roupa, nariz,etc.. nem estavam pintados. Uns entram tão no clima que a fisionomia muda radicalmente kkkkk ( sonhou com a que te encarava? ) kkkk

Algumas fotos ficaram bem legais, depois vou tratar e te passar.

W

11 de Novembro de 2009 12:23

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11 ANOS DE GRAÇA  escrito em terça 10 novembro 2009 13:30

Há 11 anos comemorávamos felizes a estréia do espetáculo “Sem peçonha eu não trepo nesse açaizeiro”, estréia do grupo Palhaços Trovadores. Foi no teatro Margarida Schiwazzappa (ainda se escrevia assim), durante Feira Pan-amazônica do livro. A partir de então, todos os anos nós, os Palhaços Trovadores, comemoramos esta data com uma festa realizada no Bar Refúgio dos Amigos, no bairro da Cidade Velha, onde por muitos anos mantivemos uma sede. Os proprietários, Dona Emília e Seu Enyr Falcão, são bons amigos que sedem o espaço e aturam nossas loucuras. Sempre programamos atrações, lançamos camisetas e folders. A festa sempre acontece em um sábado, no dia 08 de novembro - ou antes ou depois, caso o dia do aniversário não caia em um sábado.

Este ano foi um dia antes, e a festa – modesta, porém honesta - foi muito boa! Tivemos como atração o palhaço pernambucano Barreirinhos Elegâncio (Rafael Barreiros), que apresentou o espetáculo “Romeu, romanticamente eu”, ali, no bar, entre as pessoas. Para isso, contamos com apoio cultural do Instituto de Artes do Pará (IAP) e da Secretaria de Cultura do Estado, através da Diretoria de Cultura. Gracias Jayme Bibas, Iolinda (IAP) e Carlos Henrique (Secult). Estiveram na festa também integrantes da Escola de Samba Bole-bole, do bairro do Guamá, cantando o samba-enredo que no próximo carnaval homenageia os grupo. Vejam só! “Palhaços Trovadores: a poesia do riso na passarela do samba”. Viramos samba. E que sambão bonito. Gracias Claudia Palheta, Vetinho e companhia! Cantamos o parabéns em ritmo de samba e a festa rolou solta até...

Tínhamos muito a comemorar. Ganhamos uma casa, em sistema de comodato, da Santa Casa de Misericórdia do Estado, para ser nossa sede. Muitos amigos nos ajudaram nesta conquista, de vital importância para a manutenção da pesquisa do grupo. Para se ter uma idéia, mantivemos sede que nos custava R$ 800,00 mensais, pagos apenas com nosso trabalho, sem patrocínio nenhum. Mantemos ainda um depósito, que nos custa R$ 300,00 (trezentos reais) mensais. E ensaiamos em espaços cedidos. Gracias aos amigos Yeyé Porto, Aliene (Lilica) Ribeiro, Marcia Freitas, Maurício Bezerra (Sta Casa), Aldo Carvalho (Casa da Linguagem) e aos colegas da Escola de Teatro da UFPA.

Estamos agora em Campanha para a restauração e adaptação da Casinha dos Palhaços, que vai abrigar o grupo e também funcionar como mais um espaço cultural da cidade. Essa é a nossa pretensão. E sem pretensão, não chegaríamos a comemorar 11 anos de graça.

Mas temos mais a comemorar. Ganhamos o prêmio Myriam Muniz, da Funarte, do ano passado (que só saiu este ano), e estamos circulando com nosso repertório por bairros da cidade, apresentando quatro espetáculos: A Morte do Patarrão, O Singelo Auto do Jesus Cristinho, Ó, abre Alas! E O boi do Romeu no curral da Julieta. E também ganhamos recentemente, o prêmio de Teatro de Rua, também da Funarte, que possibilitará ao grupo circular por cinco ilhas – Mosqueiro, Outeiro, Ilha das Onças, Cotijuba e Combu -, com o espetáculo “O Hipocondríaco”. Gracias a la vida! E vida longa aos Palhaços Trovadores!

Belém, domingo,  08 de novembro de 2009.

 

Agora, neste post, é preciso voltar à montagem de nosso Avarento, as postagens estão um pouco atrasadas.

Para começar, registro que encerrou dia 29 de outubro nossa enquete na Comunidade dos Palhaços Trovadores do Orkut para a escolha do nome do espetáculo. Votaram 46 pessoas, ficando assim o resultado: 8 para O Pão Duro, 13 para O Unha-de-Fome e 25 para O Mão de Vaca. Este, portanto, o nome do nosso novo espetáculo. Algumas pessoas justificaram seus votos, outras sugeriram outros nomes em comentários postados no blog da Suani. Depois coloco aqui também estes comentários e sugestões, para que dentro desse espaço a discussão continue. A obra permanecerá aberta, porque ela não pode fugir à sua sina.

É preciso registrar aqui nossa participação em um evento importante, realizado pela Escola de Teatro e Dança da UFPA: o 1º Seminário de Teatro, ocorrido no per[iodo de 28 a 30 de outubro. Nele, pudemos expor o andamento nossa pesquisa e realizar um ensaio aberto para professores e alunos da Escola de Teatro e Dança (cursos técnicos e graduações). E foi muito bom!

Mas voltemos aos dois Ensaios Abertos anteriores, no anfiteatro da pç. da República, nos dias 22 e 27 de outubro. Os ensaios estavam indo bem, mas estes, sobretudo o ensaio que antecedeu nossa participação no Seminário de Teatro, foram péssimos. Os atores não rendiam, não acertavam o texto e os palhaços sumiam. Na terça-feira, dia 27, fui duro com eles, falei todas essas coisas e o público endossou. E foi uma das poucas vezes em que o público participou mesmo – depois de ser instigado a isso.

No seminário, nos apresentamos no primeiro dia, sendo o último grupo, depois das apresentações do grupo Gita, do professor Cesário Augusto, e do grupo Tambor, do professor Miguel Santa Brígida. Tensão. Mas, como diz minha amiga Iara Regina, “ator é tudo vendido”, quando vê o público “... abre-se em flor sob as luzes do palco” (Caetano Veloso, Merda). O ensaios foi perfeito. E como falei que o público podia interferir, sugerir, e como o público era “gente de teatro” (idem), claro que, ao contrário da praça, isso aconteceu. A Wlad foi a primeira e foi certeira: apontou que os palhaços que estavam atrás, sentados nos banquinhos, deveriam estar mais ligados à cena que acontecia ao centro, comentando corporalmente e até produzindo vez por outra os sons desta cena.

Foi o que a palhaçada queria. Daí em diante o jogo com a platéia, com a Wlad – antiga professora e diretora de alguns -, foi uma constante. A platéia se divertiu. Teve gente que achou a melhor coisa e que deveria ser sempre assim o espetáculo. Os palhaços estavam ali, inteiros, cada um, jogando o seu jogo, com seu jeito, sua energia, seu estado de ser e estar. Isso inclusive foi apontado pelo colega Cesário, a inteireza dos atores.

Realizamos cerca de vinte minutos de ensaio e depois paramos abrindo para o bate-papo. Muita pessoas falaram, apontaram certeiramente alguns problemas e também qualidades já presentes no trabalho. Foi muito bom o papo e pautou nossos ensaios doravante. Claro que os elogios nos tocam mais. E a última fala coube à Olinda Charone, dizendo que estava muito bonito o trabalho, que percebia ali nossa linguagem com clareza e simplicidade e tudo o mais... felizmente tudo foi filmado e dá para recolher depois todas as falas para que possam compor a escritura deste trabalho de pesquisa. Gracias, palhaços, alunos, colegas! Gracias!

E vale terminar este post com MERDA, a canção de Caetano Veloso, citada acima.

 

Nem a loucura do amor
Da maconha, do pó
Do tabaco e do álcool
Vale a loucura do ator
Quando abre-se em flôr
Sob as luzes no palco...

Bastidores, camarins
Coxias e cortinas
São outras tantas pupilas
Pálpebras e retinas...

Nem uma doce oração
Nem sermão, nem comício
A direita ou à esquerda
Fala mais ao coração
Do que a voz de um colega
Que sussurra "merda"...

Noite de estréia, tensão
Medo, deslumbramento
Feitiço e magia
Tudo é uma grande explosão
Mas parece que não
Quando é o segundo dia...

Já se disse não
Foi uma vez
Nem três, nem quatro
Não há gente, como a gente
Gente de teatro
Gente que sabe fazer
A beleza vencer
Pra além de toda perda...

Gente que pôde inverter
Para sempre o sentido
Da palavra "merda"
Merda! Merda prá você!
Desejo
Merda!
Merda prá você também
Diga merda e tudo bem
Merda toda noite
E sempre amém....

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pirulito que bate-bate, pirulito que já bateu...  escrito em terça 20 outubro 2009 02:52

De volta.

Começo esta postagem observando que mudei o visual do blog por sugestão da amiga Karine Jansen: estava realmente muito carregado de imagem. Quem manda ser amador! É bonita a imagem, mas estava excessiva. Fiz, acatei a sugestão.

O ensaio de quinta-feira passada, o feriado dos professores, 15 de outubro, pós-ressacão do Círio - que maravilha, que coisa linda! -, o ensaio, como dizia, foi muito bom. A praça estava alegre e cheia de gente. Muitos passantes e trotoantes pararam para nos assistir. E o bem amado Aníbal Pacha, nosso figurinista maior, estava ali (imagina, queria desistir de nosotros? Nada disso, não deixei, kkkk). Trabalhamos o início do espetáculo, afinando a entrada e a cena dos bonecos (Aníbal deu uns toques precisos e eu queria mesmo que ele visse a cena esperando por isso).

Foi uma farra, um festival de erros. Achei o elenco aturdido com o público grande, além do habitual. Ficou, ao que me pareceu, descontrolado: medos, vaidades e tudo o mais. Normal, o olhar do outro é sempre nosso inferno (saravá, Sartre!). Os desencontros, óbvio, provocaram risos gerais. Um amigo, Frank, sugeriu que o espetáculo fosse sempre um ensaio, que os atores não decorassem mesmo o texto. Brincadeira, é claro, mas com uma certeza afirmada: o ensaio, com seus desencontros e seus achados, é divertido. E, como falei antes, para o público, que só vê o produto final, o espetáculo, isso é novidade, uma feliz descoberta. Senti que estávamos todos ali, íntimos demais.

Uma pergunta constante do públco: quando vai estrear o espetáculo?

Para completar, neste dia tinha uma equipe do Jornal O Diário do Pará fazendo uma matéria. Saiu ontem,  segunda-feira, 19 do corrente, dia também de nossa apresentação d'A Morte do Patarrão no IAP pelo Sescírio. E estava muito boa! Obrigado, Marcinha. Obrigado repórter que não lembro o nome. E obrigado, Thiago, nosso ex-parceiro-palhaço que virou fotógrafo. A intenção da matéria era divulgar mesmo os ensaios, chamar o público para participar. Faço então uma ressalva apenas: deveria ter uma foto do ensaio mesmo e que mostrasse o anfiteatro e o público ali assistindo. Só isso. No mais, muito boa!

Estavam lá neste ensaio também alguns integrantes do Circo Teatro Imaginário, de Igarapé-açú. Meninos muito bacaninhas. Vinícius e sua troupe, logo mais seremos parceiros, vamos fazer um intercãmbio. Aguardem. Obrigado pela presença nos dias que estiveram em Belém.

Bom, o melhor deste dia foi a definição, pelo Aníbal do figurino e do cenário. Muito ocupado, ele não teve tempo de adiantar muita coisa, mas passou o ensaio rabiscando e ao final tinha tudo praticamente pronto e muitas idéias nascidas do estar ali a olhar os atores com suas roupas e seus gestos. Selecionou tonalidades e padronagens presentes nas roupas que alguns palhaços usavam. Percebi, naquele momento, o quanto foi bom termos a ideía de ensaiar com roupas que tínhamos em casa, improvisadas, velhas, largas. As coisas, cores e formas vão aparecendo ali e estimulando a criatividade.

E assim, vamos todos juntos, costurando ponto a ponto nossos devaneios, ideias, criações. A linha e o linho da paixão nas mãos.

Hoje Aníbal me enviou via e-mail seus desenhos, já acabados. Fiquei maravilhado, estão lindos! Ele acertou de novo. Como não acertaria? Agora é só confeccionar e usar nos ensaios, para que fiquem no ponto na estréia.

Os desenhos do Aníbal ilustram a postagem de hoje.

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assim caminha a criação...  escrito em quarta 14 outubro 2009 23:09

Tivemos ensaios minguados na última quinta e na última terça-feira. Na quinta alguns atores não puderam ir, mas resolvi manter a atividade para não deixar a peteca cair. E isso foi bom, porque mesmo com pouca gente, resolvi trabalhar a cena de abertura para a qual tínhamos pensado a utilização de bonecos. Os bonecos estavam prontos, feitos pela Andréa, mas não havíamos ainda resolvido a cena, como ela seria. E fomos discutindo e criando juntos, um propondo daqui, outro dali... a cena saiu. E gostei, porque além de ficar enxuta, que era o que queríamos – a cena original é longa e o que resultou da adaptação que realizamos ainda estava longa demais – foi criada com elementos que sempre utilizamos, que fazem parte de nossa poética: canções populares, roda de trovas, citações de espetáculos anteriores. Tudo engraçado e lírico.

Foi bom não ter desistido do ensaio, mesmo estando com pouca gente.

Na terça, depois de toda a farra do Círio, quem faltou, por motivo de doença, foi o nosso Harpagon. Mesmo assim, levamos em frente o ensaio. E foi bom. Novas marcas surgiram, novas idéias, conexões. Ensaiamos a entrada do espetáculo ligando-a a primeira cena, criada no ensaio passado.

Queria aqui registrar essas dificuldades que sempre aparecem em nosso processo. Pensando nisso, solicitei aquela tarefa do grupo de escrever sobre o que faz da vida, sobre o palhaço de cada um e sobre cada um no grupo.  Somos movidos por uma forte paixão pelo trabalho, sei, sabemos. Mas o dia-a-dia é cruel. Ensaiamos apenas duas vezes por semana, terças e quintas. E pretendemos tanto! Muitos atores chegam cansados, depois de uma jornada dupla de trabalho, aulas, família etc. Faltas, atrasos, acontecem sempre. Quebram o ritmo do ensaio, diminuem seu tempo. Mas é só assim que, ainda, podemos manter este nosso “outro” trabalho, essa nossa paixão. É preciso muito esforço para respeitar o espaço de cada um. É um exercício constante e doloroso. Mas tocamos em frente, sofrendo, mas criando sempre.

Lembrei de outra tarefa: como está sendo para cada um os ensaios na praça. Não falei sobre isso. Mas tenho me sentido muito à vontade. Confesso que o primeiro dia me encheu de ansiedade. Como será, como vamos nos comportar? Mas também estamos tão acostumados a chegar na frente do público e nos arrumar e fazer o espetáculo... que tudo fluiu naturalmente. Como diretor, pensei um pouco em como agiria. Mas fui deixando correr e naturalmente fui me adaptando àquela nova realidade. Uma coisa é maravilhosa: perceber a reação de quem assiste o momento exato em que a cena é criada. Sentir a curiosidade, o prazer da descoberta de saber como aquilo funciona. Que erramos, paramos, repetimos. Que muitas vezes não sabemos como fazer e... de repente, acertamos. Que os erros também são acertos, que incorporamos os acidentes à criação. É belo para mim, e percebo que para o público também, quando noto que, sem querer, o ator fez uma coisa qualquer, um gesto, um tropeço, um movimento de descanso e descubro ali o nascedouro da cena. E instigo e, junto com o ator, com a platéia, vou criando, repetindo, limpando aqui e ali. É o meu prazer! Será assim para todos os diretores?

É isso. Assim se dá nossa Criação Pública.

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ensaios do avarento: que bicho vai dar?  escrito em terça 06 outubro 2009 00:01

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