Os últimos ensaios, que antecederam nossa festa de aniversário, foram mais ensaios de música. A gripe pegou alguns atores, um deles nosso Harpagon. Já temos quatro canções prontas, faltando ensaiar um pouco mais. Em breve estarei postando as músicas com as respectivas letras.
Ah, também nestes ensaios passamos as últimas cenas do espetáculo, o que nos deu um vislumbre do todo. Utilizamos neste dia, para trabalhar o final, um jogo aplicado pela Alessandra no aquecimento, em que os atores diziam uma palavra ou frase do texto e os demais reagiam a ela e se deslocavam carregando seus bancos num troca-troca de lugar pelo espaço do anfiteatro. Foi bem bacana o jogo, deu uma energia legal e na hora de marcar a cena final propus algo parecido, o que resultou numa desarrumação da cena de fundo, muito arrumadinha, e uma série de possibilidades de ações dos personagens. Muita água passará ainda por debaixo da ponte - ou por debaixo dos bancos.
Ontem, depois da ressaca da festa dos 11 anos dos Palhaços Trovadores, voltamos à praça da República. A noite estava linda, o anfiteatro iluminadíssimo, como nunca dantes. Alguns amigos apareceram e um deles, Fernando Sampaio, postou um comentário sobre o ensaio no seu blog (que está agora linkado aqui neste). Resolvi reproduzir aqui este comentário - e os comentários sobre seu comentário -, no lugar de qualquer outra coisa que eu possa falar sobre o ensaio de ontem.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Palhaços Trovadores
Passei
noite agradabilíssima no ensaio aberto da peça O Mão de Vaca, convite carinhoso
do Marton Maués, espetáculo que
será encenado pelos Palhaços Trovadores em fevereiro de 2010. A
peça é adaptação de O Avarento de Moliere, texto antigo com tema sempre
atual, a usura e o apego ao dinheiro mostrados de uma forma cômica.
O local do ensaio não poderia ser melhor: o anfiteatro da Praça da
República em noite tranqüila e serena, ponto da cidade que é tido
como impossível por muitos, medo de violência que muda os
caminhos.Palhaços presentes, cada qual com seu banquinho, sacolas e adereços no chão, tem início uma conversa restrita com os integrantes da trupe, todos reunidos nas escadarias do palco a céu aberto, hora de palhaço falar sério e arrumar a casa.
Terminado o papo começa um processo de transformação, cada qual em metamorfose para incorporar seu personagem. E quanto mais se vestem de palhaços, mais curiosos chegam ao local, todo o tipo de gente formando
público heterogêneo, público ideal para o teatro. Ao nosso lado
se instala uma família, pai e mãe namorando, os filhos ao redor
rindo das peraltices do atores. Do outro lado um grupo de
estudantes, meninos ainda, todos calados e respeitosos. Há ainda um
morador de rua que ri bastante de tudo, atento. E por todos os
cantos muitos curiosos, passantes que arranjam um tempo para ver a
arte que se faz.No meio do ensaio, diretor e atores se deparam com dúvida sobre como
encenar determinado diálogo. Dúvida surgida, solução fácil na
manga – os palhaços se dirigem ao público e perguntam:
“O que vocês acham? Como
vocês acham que devemos fazer?”. Surpresos, pegos da
supetão, poucos ousam uma resposta. Mas basta uma opinião para que
todos comessem a dar seu palpites, teatro em praça pública, teatro
para o povo (nesta hora pensei: quantos aqui já devem ter ido ao
teatro? Poucos, certamente. E hoje estão aqui, público que também é
diretor, ator, palhaço).No final, gostei muito do que vi! Os Trovadores mostrando atitude, teatro feito sem a hipocrisia de ser somente elite, teatro que sempre é bom e de todos. E fico feliz por perceber que, apesar de sempre inovar, os palhaços continuam fazendo o que sempre fizeram – bom teatro e bom riso!
Notas práticas - No sábado, 07 de novembro, os Palhaços Trovadores
comemoraram 11 anos de atividade com uma bonita festa. Neste
2009 eles ganharam uma sede própria que precisa ser reformada. E em
2010 serão tema da Escola de Samba Bole-Bole, o enredo Palhaços Trovadores: A Poesia do Riso na
Passarela do Samba. Haverá uma ala reservada para os amigos,
a Ala do Patarrão (em homenagem ao espetáculo "A Morte do
Patarrão"), e desde já todos estão convidados.E os ensaios continuam abertos, todas as terças e quintas, sempre perto das 20 horas no anfiteatro da Praça da República. Os Palhaços, como sempre, de braços abertos!
Comentários:
Luana C. disse...
Eles são demais. Super engraçados e esforçados.
Bons atores e ótimos palhaços...alguns mais expressivos do que
outros, é verdade! Mas todos humildes em querer saber a opinião dos
presentes na plateia!
O diretor, como qualquer outro que gosta e sabe o que está fazendo,
atento ao menor "erro" e mandando voltar a cena, sempre quando
queria experimentar algo novo.
Foi uma ótima experiência. Gostei de verdade! Obrigada!
rs.
Na verdade, acho que não se trata de mais
expressividade de uns ou outros. Acontece que cada um dos que está
assistindo se identifica mais com um palhaço, passando a
preferi-lo. Por exemplo, os que eu mais gostei certamente não são
os que outros mais gostaram. Acho que todos são, sim, muito
expressivos, só rolando muito esse papo de empatia!
No mais, foi bom ter ido em fase bem inicial da preparação toda,
ensaios ainda embrionários, textos sendo decorados, alguns erros,
mas ver o espetáculo nascer.
- Anônimo disse...
É como o Diretor Marton nos falou, quando os
caras estiverem com o texto 'redodinho', na ponta da língua, vai
ficar 100% pq eles são naturalmente divertidos e talentosos e as '
sacadas' do texto serão melhor interpretadas.
Foi a primeira vez que eu ví um ensaio de um grupo teatral e achei
otimo. Tem que amar a arte, vamos combinar. Eu além de não ter
talento penso que não teria essa capacidade de ensaiar tanto a
mesma coisa. Mas ver, é comigo mesmo rs
Alguns ficam irrenconhecíveis descaracterizados, e nem é tanto pela
roupa, nariz,etc.. nem estavam pintados. Uns entram tão no clima
que a fisionomia muda radicalmente kkkkk ( sonhou com a que te
encarava? ) kkkk
Algumas fotos ficaram bem legais, depois vou tratar e te
passar.
W





Nina Santana
Qua 06 Jan 2010 00:24