11 ANOS DE GRAÇA  escrito em terça 10 novembro 2009 13:30

Há 11 anos comemorávamos felizes a estréia do espetáculo “Sem peçonha eu não trepo nesse açaizeiro”, estréia do grupo Palhaços Trovadores. Foi no teatro Margarida Schiwazzappa (ainda se escrevia assim), durante Feira Pan-amazônica do livro. A partir de então, todos os anos nós, os Palhaços Trovadores, comemoramos esta data com uma festa realizada no Bar Refúgio dos Amigos, no bairro da Cidade Velha, onde por muitos anos mantivemos uma sede. Os proprietários, Dona Emília e Seu Enyr Falcão, são bons amigos que sedem o espaço e aturam nossas loucuras. Sempre programamos atrações, lançamos camisetas e folders. A festa sempre acontece em um sábado, no dia 08 de novembro - ou antes ou depois, caso o dia do aniversário não caia em um sábado.

Este ano foi um dia antes, e a festa – modesta, porém honesta - foi muito boa! Tivemos como atração o palhaço pernambucano Barreirinhos Elegâncio (Rafael Barreiros), que apresentou o espetáculo “Romeu, romanticamente eu”, ali, no bar, entre as pessoas. Para isso, contamos com apoio cultural do Instituto de Artes do Pará (IAP) e da Secretaria de Cultura do Estado, através da Diretoria de Cultura. Gracias Jayme Bibas, Iolinda (IAP) e Carlos Henrique (Secult). Estiveram na festa também integrantes da Escola de Samba Bole-bole, do bairro do Guamá, cantando o samba-enredo que no próximo carnaval homenageia os grupo. Vejam só! “Palhaços Trovadores: a poesia do riso na passarela do samba”. Viramos samba. E que sambão bonito. Gracias Claudia Palheta, Vetinho e companhia! Cantamos o parabéns em ritmo de samba e a festa rolou solta até...

Tínhamos muito a comemorar. Ganhamos uma casa, em sistema de comodato, da Santa Casa de Misericórdia do Estado, para ser nossa sede. Muitos amigos nos ajudaram nesta conquista, de vital importância para a manutenção da pesquisa do grupo. Para se ter uma idéia, mantivemos sede que nos custava R$ 800,00 mensais, pagos apenas com nosso trabalho, sem patrocínio nenhum. Mantemos ainda um depósito, que nos custa R$ 300,00 (trezentos reais) mensais. E ensaiamos em espaços cedidos. Gracias aos amigos Yeyé Porto, Aliene (Lilica) Ribeiro, Marcia Freitas, Maurício Bezerra (Sta Casa), Aldo Carvalho (Casa da Linguagem) e aos colegas da Escola de Teatro da UFPA.

Estamos agora em Campanha para a restauração e adaptação da Casinha dos Palhaços, que vai abrigar o grupo e também funcionar como mais um espaço cultural da cidade. Essa é a nossa pretensão. E sem pretensão, não chegaríamos a comemorar 11 anos de graça.

Mas temos mais a comemorar. Ganhamos o prêmio Myriam Muniz, da Funarte, do ano passado (que só saiu este ano), e estamos circulando com nosso repertório por bairros da cidade, apresentando quatro espetáculos: A Morte do Patarrão, O Singelo Auto do Jesus Cristinho, Ó, abre Alas! E O boi do Romeu no curral da Julieta. E também ganhamos recentemente, o prêmio de Teatro de Rua, também da Funarte, que possibilitará ao grupo circular por cinco ilhas – Mosqueiro, Outeiro, Ilha das Onças, Cotijuba e Combu -, com o espetáculo “O Hipocondríaco”. Gracias a la vida! E vida longa aos Palhaços Trovadores!

Belém, domingo,  08 de novembro de 2009.

 

Agora, neste post, é preciso voltar à montagem de nosso Avarento, as postagens estão um pouco atrasadas.

Para começar, registro que encerrou dia 29 de outubro nossa enquete na Comunidade dos Palhaços Trovadores do Orkut para a escolha do nome do espetáculo. Votaram 46 pessoas, ficando assim o resultado: 8 para O Pão Duro, 13 para O Unha-de-Fome e 25 para O Mão de Vaca. Este, portanto, o nome do nosso novo espetáculo. Algumas pessoas justificaram seus votos, outras sugeriram outros nomes em comentários postados no blog da Suani. Depois coloco aqui também estes comentários e sugestões, para que dentro desse espaço a discussão continue. A obra permanecerá aberta, porque ela não pode fugir à sua sina.

É preciso registrar aqui nossa participação em um evento importante, realizado pela Escola de Teatro e Dança da UFPA: o 1º Seminário de Teatro, ocorrido no per[iodo de 28 a 30 de outubro. Nele, pudemos expor o andamento nossa pesquisa e realizar um ensaio aberto para professores e alunos da Escola de Teatro e Dança (cursos técnicos e graduações). E foi muito bom!

Mas voltemos aos dois Ensaios Abertos anteriores, no anfiteatro da pç. da República, nos dias 22 e 27 de outubro. Os ensaios estavam indo bem, mas estes, sobretudo o ensaio que antecedeu nossa participação no Seminário de Teatro, foram péssimos. Os atores não rendiam, não acertavam o texto e os palhaços sumiam. Na terça-feira, dia 27, fui duro com eles, falei todas essas coisas e o público endossou. E foi uma das poucas vezes em que o público participou mesmo – depois de ser instigado a isso.

No seminário, nos apresentamos no primeiro dia, sendo o último grupo, depois das apresentações do grupo Gita, do professor Cesário Augusto, e do grupo Tambor, do professor Miguel Santa Brígida. Tensão. Mas, como diz minha amiga Iara Regina, “ator é tudo vendido”, quando vê o público “... abre-se em flor sob as luzes do palco” (Caetano Veloso, Merda). O ensaios foi perfeito. E como falei que o público podia interferir, sugerir, e como o público era “gente de teatro” (idem), claro que, ao contrário da praça, isso aconteceu. A Wlad foi a primeira e foi certeira: apontou que os palhaços que estavam atrás, sentados nos banquinhos, deveriam estar mais ligados à cena que acontecia ao centro, comentando corporalmente e até produzindo vez por outra os sons desta cena.

Foi o que a palhaçada queria. Daí em diante o jogo com a platéia, com a Wlad – antiga professora e diretora de alguns -, foi uma constante. A platéia se divertiu. Teve gente que achou a melhor coisa e que deveria ser sempre assim o espetáculo. Os palhaços estavam ali, inteiros, cada um, jogando o seu jogo, com seu jeito, sua energia, seu estado de ser e estar. Isso inclusive foi apontado pelo colega Cesário, a inteireza dos atores.

Realizamos cerca de vinte minutos de ensaio e depois paramos abrindo para o bate-papo. Muita pessoas falaram, apontaram certeiramente alguns problemas e também qualidades já presentes no trabalho. Foi muito bom o papo e pautou nossos ensaios doravante. Claro que os elogios nos tocam mais. E a última fala coube à Olinda Charone, dizendo que estava muito bonito o trabalho, que percebia ali nossa linguagem com clareza e simplicidade e tudo o mais... felizmente tudo foi filmado e dá para recolher depois todas as falas para que possam compor a escritura deste trabalho de pesquisa. Gracias, palhaços, alunos, colegas! Gracias!

E vale terminar este post com MERDA, a canção de Caetano Veloso, citada acima.

 

Nem a loucura do amor
Da maconha, do pó
Do tabaco e do álcool
Vale a loucura do ator
Quando abre-se em flôr
Sob as luzes no palco...

Bastidores, camarins
Coxias e cortinas
São outras tantas pupilas
Pálpebras e retinas...

Nem uma doce oração
Nem sermão, nem comício
A direita ou à esquerda
Fala mais ao coração
Do que a voz de um colega
Que sussurra "merda"...

Noite de estréia, tensão
Medo, deslumbramento
Feitiço e magia
Tudo é uma grande explosão
Mas parece que não
Quando é o segundo dia...

Já se disse não
Foi uma vez
Nem três, nem quatro
Não há gente, como a gente
Gente de teatro
Gente que sabe fazer
A beleza vencer
Pra além de toda perda...

Gente que pôde inverter
Para sempre o sentido
Da palavra "merda"
Merda! Merda prá você!
Desejo
Merda!
Merda prá você também
Diga merda e tudo bem
Merda toda noite
E sempre amém....

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