Palhaço dá samba...  escrito em terça 08 dezembro 2009 03:53

Os dois últimos ensaios foram bons, apesar de não ter o elenco completo e ficar impossibilitado de avançar, isto é, trabalhar o final do espetáculo, que era a minha intenção naquela semana. Aproveitamos para limpar cenas já marcadas, trabalhar a fixação do texto de alguns, ainda frouxo, sobretudo trabalhar o personagem principal, Harpagon, que ainda está esboçado apenas. Nos divertimos e descobrimos coisas novas e repetimos, repetimos e fomos lapidando as cenas.

Pudemos também provar os figurinos reajustados por nosso querido figurinista Aníbal Pacha. Ele refez os peitos e a bunda de D. Claudia, minha personagem. Tb ajustou algumas roupas e está direto supervisionando os demais figurinos junto à costureira, que não tem nenhuma experiência com roupas de teatro. Ah, Aníbal também trouxe-nos os chapéus, que ficaram bem bonitos e engraçados. Para mim, é a coisa mais palhaço que tem, o que vai marcar a trupe. E dá também um registro de época, mas de forma engraçada, penso eu.

Mas o que foi, para mim, o melhor da semana que passou foi o contato com o público. Tivemos um bom público e na hora do bate-papo comecei a estimular mais as pessoas, instigar para que falassem e elas soltaram a língua. Foi muito bom isso. Precisava mesmo dar um empurrão maior. Mesmo, em alguns casos, não havendo muitas contribuições, mas deu para aferir que as pessoas estão vindo, vendo, gostando e voltando para assistir os ensaios. Que o espetáculo, os ensaios, estão aguçando o interesse delas pelo teatro. Algumas disseram nunca ter visto antes o ensaio de uma peça, uma trupe de atores trabalhando ali, na frente de todos. E elogiaram o trabalho e  talento dos atores.

Aproveitei, nestes dias, e gravei alguns depoimentos mesmo de forma deficiente com a minha câmera cannonzinha.

Termino esta postagem com uma canção que não conhecia, enviada a mim pelo amigo Fernando, agora nosso espectador cativo: Palhaço, de Nelson Cavaquinho. É um samba lindo, quando conseguir baixá-lo postarei também a melodia.

Por enquanto vai somente a letra:

Palhaço

(Nelson Cavaquinho / washington / oswaldo De Oliveira Martins)

Sei que é doloroso um palhaço
Se afastar do palco por alguém
Volta, que a platéia te reclama
Sei que choras palhaço
Por alguém que não te ama
Enxuga os olhos e me dá um abraço
Não te esqueças que és um palhaço
Faça a platéia gargalhar
Um palhaço não deve chorar..

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Na praça ou na universidade: o (não) lugar da criação.  escrito em domingo 29 novembro 2009 04:20

A última semana de ensaios, terça e quinta (24 e 26/11), foi bem agitada, com lances bem interessantes. Fomos convidados para realizar o ensaio da na UFPA, durante a Semana Francófona, realizada por estudantes de Letras/Francês, na quinta-feira, dia 26 de novembro, às 20h30. Na terça-feira ensaiamos na praça, a noite estava linda e o anfiteatro ficou cheio de gente. Alguns amigos estavam lá, moradores dos prédios do entorno da praça, que já estão ficando habitués, vizinhos da TV. Frei Gil, onde moro e onde fica nosso depósito, em um trecho que fica a dois quarteirões da Pç. da República. Algumas alunas de um curso de clown que ministrei recentemente na Escola de Governo também estavam lá – duas delas sessentonas e bem alegres e engraçadas e cheias de vitalidade (tinham vindo da Universidade da Terceira Idade, a Uniterci/UFPA).

Estava bonito mesmo de se ver. E, a despeito de algumas coisinhas, o ensaio foi bonito mesmo. Deu para verificamos que marcas já criadas funcionam e devem ser mantidas, mas precisam de uma lapidada. Deu também para criar novas marcas, modificando coisas já definidas. E resposta do público dá o tom, a segurança de que estamos caminhando no rumo certo. É tão mais confortável já testar ali, na frente do público a nossa criação. O papo no final também foi muito bom. Um rapaz, de passagem por Belém (hóspede do Hilton), disse que gostou muito, estava se divertindo e que havia notado que a cada cena os personagens mudam a moeda quando se referem a dinheiro. Perguntou se isso era intencional. Disse a ele que sim, cada personagem a cada cena usava uma moeda diferente. Ele sugeriu radicalizar isso: a cada fala, de qualquer personagem, que se mudasse a moeda. Achamos legal.

Um amigo observou que o texto tem complexidades que talvez não fossem entendidas por crianças, e nos perguntou como ficava isso para nós que temos um grande público infantil. Argumentamos que isso sempre ocorre e veio mais forte ao montarmos “O Hipocondríaco”, outro texto de Molière. Ficamos apreensivos com todo aquele palavrório e como isso chegaria às crianças. Bom, ao estrearmos percebemos o que já havíamos notados em outros espetáculos, que eles têm camadas de percepção e que as crianças captam determinadas camadas e os adultos outras. E que também essas percepções de adultos e crianças se misturam, se embolam. Por exemplo, as gags mais verbais são percebidas mais pelos adultos, as gags corporais pelas crianças. Se bem que em determinados casos essas percepções se invertem e/ou se misturam. Quer dizer: existem adultos bem infantis e crianças bem adultas.

Temos um cuidado grande com o que apresentamos ao público e de que forma isso é apresentado, pois sabemos que estamos quase sempre em lugares abertos, freqüentados por todos. Somos palhaços, atraímos muitas crianças e criança não sai sozinha, sempre vai acompanhada de adultos, então temos que pensar em ambos ao montarmos nossos trabalhos. Interessante é perceber que mães, pais e filhos, avós, avôs e netas, sempre estão lá, nos prestigiando, se divertindo com nossas loucuras. Eles nos dão a certeza de que nosso trabalho funciona com crianças de 8 e de 80 anos.

Na quinta-feira fomos para a Federal. Outra noite bonita e quente. Nos apresentamos no estacionamento que fica em frente aos blocos F e G. não estava bem iluminado, mas foi muito legal o ensaio. Enquanto o grupo se aquecia, apresentei o trabalho, falando um pouco de como se desenrola a poética do grupo, sua história, e também como estava se dando a montagem de “O Mão de Vaca”, nossa adaptação de “O varento”, de Molière, autor que já havia sido estudado por eles, conforme confirmaram.

Ensaiamos a cenas do início do espetáculo, indo até o final da cena da Frosina com Harpagon. Parei várias vezes o ensaio para corrigir problemas e sugerir coisas novas. Os alunos se divertiram bastante, com as cenas e com nossos erros também. E participaram, sugerindo coisas durante o ensaio mesmo. Um rapaz, Mario seu nome, sugeriu que a sonoplastia da cena de Harpagon com Elisa, quando aquele diz que quer casar esta com o Sr. Anselmo, que é feita com dois cocos e um triângulo e vai crescendo, virasse uma música e que o palhaço que tocava fosse dançando e parasse a cena, com todos lançando olhar fulminante ao empolgado, até ele cair em si e parar. Aceitamos a sugestão e a colocamos em prática. Foi o máximo, até porque quem estava tocando era a Sônia Alão, palhaça Pirulita, que faz o papel do Sr, Anselmo na peça, o tal pretendente de Elisa. E a palhaça se empolgou na terceira vez e protagonizou uma cena hilária, que fez o público rir e aplaudir.

Outro momento bem bacana foi quando fomos tocar a canção de entrada da Frosina. Um rapaz que estava com um bandolim foi chamado a entrar em cena e ele tocou conosco, ficando o “número” bem legal. As palhaças se aproveitaram, para curtir com ele, que permaneceu ali até o final da cena e conseqüentemente do ensaio. Paramos porque já estava ficando tarde para os alunos pegarem ônibus. Mas ainda trocamos idéias com os que puderam ficar mais um pouco. Foi um ensaio curto, mas produtivo. A mudança de público, com outra energia, transformou também os atores-palhaços.

Voltei para casa feliz e dormi bem demais.

 

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O FIGURINO E SEU DUPLO  escrito em terça 24 novembro 2009 18:04

Blog de unha-de-fome :UNHA-DE-FOME, O FIGURINO E SEU DUPLO

Tarefa árdua criar um figurino para um grupo de palhaços na montagem de um texto considerado clássico, com uma dramaturgia rígida.

Neste caso estou falando dos Palhaços Trovadores na montagem da peça “O Avarento”, de Molière.

A construção do palhaço se sustenta em um personagem específico com linguagem própria.

Tenho ai alguns desafios:

Como caracterizar (vestir) um personagem escrito e formatado de um texto clássico em uma alma clownesca, onde as formas visuais pré existem como principio único, com características individuais e de autoria pessoal?

Os Palhaços Trovadores não fogem a essa regra. O figurino que cada palhaço veste tem como princípio a concepção pessoal de cada ator clownesco. Sempre com base no exagero, o grotesco como potencial cômico, que denunciam as desmedidas entre o corpo e a roupa que veste.

O trabalho começou na observação dos figurinos de ensaio que cada um utiliza para compor seu personagem palhaço. Próximo passo foi pedir para cada um desenhar o seu personagem com todas as partes possíveis do vestuário que usualmente era utilizado por eles.

Com algumas conversas me veio uma imagem disparadora para a concepção estética do figurino. Passei alguns dias em Tomé-Açu e tive oportunidade de ir a um Circo que estava naquele momento na cidade. Eu cheguei bastante cedo e as lonas laterais estavam levantadas e percebi a movimentação dos artistas fora do picadeiro. Este mundo paralelo me prendeu até a hora de começar o espetáculo. Fiquei fascinado por ter vivenciado esses imagens desses mundos paralelos. Com um olhar de dentro do Circo vi a vida destes artistas em seu cotidiano lá fora. Então teriam dois planos visuais: o centro com a encenação do “Avarento” e o fundo com o dia a dia deste grupo de atores clownescos. Criamos então, dois tipos de figurinos: o utilizado no corpo do palhaço que veste o personagem da peça e o aplicado como adereço de cenário que serve de imagem conceitual representando a individualidade de cada um. Traduzindo esses elementos em traços, formas e volumes a imagem visual dos palhaços teria uma mistura de seus figurinos habituais com as características dos personagens do texto de Molière e ao fundo da cena um varal com roupas do dia a dia deste grupo de artistas, criando não apenas um suporte cenográfico como servindo de elemento ativo da encenação. Teriam então esses dois mundos paralelos onde em algum momento eles se misturariam.

Destacamos alguns parâmetros que norteariam a concepção do figurino.

Manter as características de cada um.

Tudo muito simples.

Desgaste pelo uso.

A avareza.

Uma peça única de tecido para o figurino.

Em um trabalho mais particular com o texto destaquei uma das falas da personagem Frosina, referindo-se ao personagem central, Harpagon:  “... seus calções presos ao gibão por agulhetas”, que sita peças de roupas que caracterizam o traje da época e definem bem seu personagem. Resolvi investigar uma peça em particular o GIBÃO que intuitivamente me chamou a atenção. Localizei esta peça de roupa em vários períodos da história do traje e a sua releitura, em particular, utilizado no sertão nordestino brasileiro.

Aurélio. Gibão é "vestidura antiga, que cobria os homens desde o pescoço até a cintura". Também é "espécie de casaco curto que se vestia sobre a camisa".

 “O gibão de couro é a roupa típica do vaqueiro nordestino utilizada para proteger-se quando encontra-se em corrida nas matas tentando dominar um animal.”

“Casaco curto e leve de homem usado nos séculos XIV a XVI.”

Observei que essa peça de roupa passou pelo tempo sofrendo alterações, mas sempre com as mesmas características na forma e no seu uso. Com algumas releituras e adaptações o gibão foi a peça eleita para traçar a forma de cada personagem deste projeto de figurino. Foram criadas peças básicas para cada personagem como blusões, vestidos, calças e bermudas e por sobre elas a releitura do gibão como jaquetas, jaquetões, coletes e corpetes. Foram escolhidos diferentes padrões de tecidos para separar visualmente essas personagens que classifiquei em família, empregados e visitantes. Na composição final temos chapéus, gorros, tocas, perucas e bigodes que completam o visual de cada personagem. Foram mantidos dois elementos da caracterização individual de cada palhaço o nariz e o sapato.

 

Aníbal Pacha – Figurinista

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O ELOGIO DA BOBAGEM  escrito em terça 24 novembro 2009 12:22

Blog de unha-de-fome :UNHA-DE-FOME, O ELOGIO DA BOBAGEM

Gosto muito dessa introdução do livro O Elogio da Bobagem, de Alice Viveiros de Castro, grande pesquisadora brasileira da arte do palhaço. Sempre o leio para meus alunos e achei importante compartilhar, aqui no blog, com os amigos internautas.

 

O palhaço é a figura cômica por excelência. Ele é a mais enlouquecida expressão da comicidade: é tragicamente cômico. Tudo que é alucinante, violento, excêntrico e absurdo é próprio do palhaço. Ele não tem nenhum compromisso com qualquer aparência de realidade. O palhaço é comicidade pura.

O palhaço não é um personagem exclusivo do circo. Foi no picadeiro que ele atingiu a plenitude e finalmente assumiu o papel de protagonista. Mas o nome palhaço surgiu muito antes do chamado circo moderno. Aliás, seria melhor dizer “os nomes”. Uma das grandes dificuldades que a maioria dos autores encontra ao estudar a origem dos palhaços está na profusão de nomes que essa figura assume em cada momento e lugar. Clown, grotesco, truão, bobo, excêntrico, Tony, augusto, jogral, são apenas alguns dos nomes mais comuns que usamos para nos referir a essa figura louca, capaz de provocar gargalhadas ao primeiro olhar.

O que nos interessa neste estudo é o arquétipo. Esse ser que parece vindo de um outro planeta tão semelhante ao nosso, essa figura que não é ninguém que conhecemos e que no entanto reconhecemos ao primeiro olhar, não surgiu em um momento definido, foi sendo construída ao longo de séculos e assumindo papéis e formatos diferenciados, tendo como única função provocar, pelo espanto, o riso.

Em português temos um nome comum para todas as possíveis formas assumidas por essa figura: PALHAÇO. Mais adiante, vamos enfocar essas diferentes facetas e nomes. Agora, no entanto, o que queremos ressaltar é que ninguém tem dúvida quando se depara com uma dessas figuras: “Esse é um palhaço!” E não importa se sua cabeleira é vermelha e os sapatos enormes ou se, ao contrário, ele veste um sóbrio terno e está sem nenhuma maquiagem. Identificamos um palhaço não apenas pela forma, mas principalmente pela capacidade de nos colocar, como espectadores, num estado de suspensão e tensão que, em segundos – sabemos de antemão -, vai explodir em risos.

Imagino que o primeiro palhaço surgiu numa noite qualquer em uma indefinida caverna enquanto nossos antepassados terminavam um lauto banquete junto ao fogo. Em volta da fogueira, numa roda de companheiros, jogavam conversa fora. Comentavam a caçada que agora era jantar e falavam das artimanhas usadas, dos truques e da valentia de cada um. É quando um deles começa a imitar os amigos e exagera na atitude do valentão que se faz grande, temerário e risível na sua ânsia de sobrepujar a todos. E logo passa a representar as momices do covarde, seus cuidados para se esquivar do combate, sempre exagerando nos gestos, abusando das caretas, apontando tão absurdamente as intenções por trás de cada ação e o ridículo delas que o riso se instala naquela assembléia de trogloditas. E todos descobrem o prazer de rir entre companheiros, de rir de si mesmo ao rir dos outros...

Esse nosso personagem imaginário sobrevivei a todas as catástrofes naturais, inclusive as construídas pelos homens. Esteve presente nas batalhas, nas festas e nos rituais mais sagrados, sempre cumprindo a mesmo papel: provocar o riso.

Muitos estudos foram feitos sobre este fenômeno: o riso. “O homem é o único animal que ri” – disse Aristóteles. Mas por quê? Qual a função do riso? Não vamos aqui nos dedicar a essa discussão, não é esta a nossa questão. Rimos porque é bom e isso basta. O prazer tem sentido em si mesmo, não precisa de explicação. E aí talvez esteja um dos pontos mais importantes da figura do palhaço: sua gratuidade. Sua função social e fazer rir e dar prazer. Ele não descobre as leis que regem o universo, mas nos faz viver com mais felicidade. E esta é sua incomparável função na sociedade. Enquanto milhões se dedicam às nobres tarefas de matar, se apossar de territórios vizinhos e acumular riquezas, o palhaço empenha-se em provocar o riso de seus semelhantes. Ele não se dedica às grandes questões do espírito nem às “altas prosopopéias” filosóficas; gasta seu tempo e o nosso com... bobagens.

O palhaço é o sacerdote da besteira, das inutilidades, da bobeira... Tudo o que não têm importância lhe interessa. É corriqueira a cena em que o palhaço vai fazer alguma coisa muito séria e importante – como, por exemplo, tocar uma peça de música clássica – e acaba nos entretendo com algum detalhe absolutamente insignificante. É o caso do grande Grock tocando violino.: ele chega, cumprimenta a platéia, posiciona o instrumento e, num gesto de pura futilidade, frescura e bobeira, atira para o alto o arco do violino esperando pegá-lo no ar. Mas ele falha. Contrariado com o detalhe, esquece-se do principal e se dedica a tentar pegar o arco no ar. E então, hipnotizados, nos esquecemos do concerto e passamos um tempo enorme nos deliciando com aquele tonto que não consegue pegar o arco do violino no ar! Bobagem pura, mas um momento mágico e inesquecível...

Durante milênios e até nos dias de hoje valorizamos a sabedoria e a capacidade para vencer, seja lá o que isso signifique. Por isso a apologia do trabalho, da moderação, do equilíbrio. Grandes valores sem dúvida, mas a vida não é só isso: existe a farra, a festa, o prazer! E assim o homem vai vivendo, equilibrando-se entre os contrários, compreendendo a necessidade de “ganhar o pão de cada dia com o suor de seu rosto”, mas criando mecanismos para escapar das pressões cotidianas, reagir aos exageros dos puritanos e se contrapor á tristeza e á violência do mundo.

Millôr Fernandes complementou Aristóteles dizendo que “o homem é o único animal que ri e é rindo que ele mostra o animal que é”. Pronto. A principal função do riso e nos recolocar diante da nossa mais pura essência: somos animais. Nem deuses nem semi-deuses, meras bestas tontas que comem, bebem, amam e lutam desesperadamente para sobreviver. A consciência disso é que nos faz únicos, humanos.

A frase de Millôr nos traz também outras leituras. Existe ética no riso? Rimos de qualquer coisa? E onde fica o politicamente correto tão em voga nos nossos tempos? Piadas sexistas, racistas, excludentes, reforçadoras de preconceitos provocam o riso? Claro que sim. O ser humano é uma besta, não é mesmo?

Este livro pretende contar a história desse personagem fascinante e ajudar os futuros palhaços a compreenderem melhor as imensas possibilidades do seu papel social. Que cada um se sinta à vontade para realizar suas escolhas. Que riso provocar? Rir do quê? Com quem? Reservamos um espaço todo especial para a ética no final do livro. Compreendendo melhor o que é um palhaço poderemos escolher, com mais consciência, o palhaço que queremos ver e aquele que queremos ser.

 

(O Elogio da Bobagem – palhaços do Brasil e do mundo. Alice Viveiros de Castro. Rio de Janeiro: Editora Família Bastos, 2005)

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E ASSIM SE PASSARAM DOIS MESES...  escrito em sexta 20 novembro 2009 02:18

Blog de unha-de-fome :UNHA-DE-FOME, E ASSIM SE PASSARAM DOIS MESES...

 Completamos dois meses de trabalhos na praça. Dois meses nos encontrando todas as terça e quintas-feiras. Alguns dias de ensaios intensos, outros nem tanto. Os problemas de sempre – compromissos profissionais, doenças -, emperram um pouco o processo. Normal, a arte do teatro nos faz viver, mas não vivemos dela, exclusivamente dela.

Nestes dois meses, fizemos também muita coisa, além dos ensaios do agora batizado pelo público “Mão de Vaca”. Ensaiamos de realizamos temporada do espetáculo “A Morte do Patarrão”, com duas apresentações na Estação das Docas, uma no Instituto de Artes do Pará – Projeto Sesc Círio -, uma no cirquinho do CRAS da cremação (Prefeitura Municipal de Belém) e uma no projeto Emaús do bairro Bengüi.

Além disso, comemoramos nossos 11 anos de graça com uma festa muito animada, alegre, pra cima, que contou com a participação do palhaço Barreirinhos Elegâncio (Rafael Barreiros) , de Recife-PE. Com ele, fizemos um treinamento muito bom, na segunda-feira, dia 09 de novembro, em uma sala gentilmente ceidada pela direção da Escola de Teatro e Dança. Presentes alguns Trovadores e ex-alunos de clown da ETD.

Fechamos a idéia do cenário e do figurino do espetáculo, este já quase todo confeccionado e pronto para ser usado nos ensaios. A idéia, como tudo no espetáculo, é envelhecer através do uso as vestimentas. Ah, outras coisa importante: as canções do espetáculos estão todas compostas. E digo que ficaram ótimas! Como é característico de nosso trabalho – herança de nossos folguedos -, tem um canto de chegada, três canções referentes a personagens fortes da peça (Harpagão, Frosina e Mariana), uma canção para a “rodada do chapéu” e um canto de despedida. Tem marcha, xote, samba, brega, quadrilha e chula de palhaço, esta a canção de despedida, uma releitura.

Trabalhamos muito, então!

Nesta postagem colocarei as letras de algumas canções, prometendo em breve gravá-las com o elenco, mesmo de forma precária, para também postar aqui no blog.

Os ensaios desta semana foram bem produtivos. Estamos passando todo o espetáculo, desde a quinta-feira da semana passada. Na terça seguimos com ele, com o elenco quase completa (ausentes Isac, que está dando aulas, e Patrícia, que teve reunião no trabalho). Mas o ensaio foi bem produtivo, apesar de notarmos que esbarramos ainda no texto, que não está todo decoradinho. Isso foi apaontado por mim e por todos que assistiram ao ensaio. Neste dia e também na quinta-feira, contamos com vários amigos presentes, alguns freqüentadores assíduos dos ensaios, mas gostaria de destacar a surpreendente presença, para mim, do amigo Décio Gusmán, professor do departamento de história da UFPA. Décio, convidado pela Alessandra através do Orkut, foi bem participativo, fez comentários pertinentes e conversamos bastante. Destacou também o problema que ainda enfrentamos com o texto, mas observou que conseguiu ver ali, na montagem a marca dos Palhaços Trovadores, o nosso jeito de ser e de fazer teatro e palhaçaria. Décio possui uma pequena coleção de DVDs de peças de Molière montadas pela Comédie Française. Ele inclusive assistiu muitas delas, lá mesmo em Paris.

O papo com Décio durante e depois dos ensaios foi muito bom. Ele me emprestou um DVD da montagem de O Avarento, pela Comédie Française, que combinamos assistir também juntos, com todo o elenco, possivelmente na casa da querida amiga e colaboradora Maria Sylvia. Isto somente depois de festejarmos o aniversário do Bené.

Daqui do nosso blog, nossos parabéns pra ele! Viva o Bené!

* Bené faz 80 anos no dia 21 de novembro, sábado.

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AQUI ESTÃO AS CANÇÕES:

O autor das canções é nosso Diretor Musical, Marcos Vinícius Lopes, o palhaço Presuntinho, que na peça interpreta Valério.

ABERTURA: SENHORAS E SENHORES, O CIRCO CHEGOU

 

SENHORAS E SENHORES VAMOS CANTAR,

A ALEGRIA AQUI JÁ VAI COMEÇAR,

TRAZEMOS SONHOS, RISOS E DIVERSÃO,

CANTEM A NOSSA CANÇÃO.

PALHAÇOS TROVADORES ESTAMOS AQUI,

A GRANDE LONA AZUL DO CÉU VAI SE ABRIR,

UM GRANDE ESPETÁCULO VAI COMEÇAR

ENTÃO VAMOS TODOS CANTAR...

LA, LA, LA...

TRAZEMOS SONHOS, RISOS E DIVERSÃO,

MÚSICAS, PALHAÇOS, PARA VOCÊS.

UM NOVO ESPETÁCULO, VAI COMEÇAR

O CIRCO ACABOU DE CHEGAR

A FESTA JÁ VAI COMEÇAR

O CIRCO ACABOU DE CHEGAR

A PEÇA JÁ VAI COMEÇAR

 

 

FROSINA: FLOR DA SEDUÇÃO

 

A FROSINA CAMINHA TODA FACEIRA

O PAPO DELA NÃO É BRINCADEIRA

ELA É A FLOR DA SEDUÇÃO

TER OS HOMENS NAS MÃOS É NATURAL,

CONHECE A ARTE DE SEDUZIR

COM A FROSINA NENHUM HOMEM VAI RESISTIR

COM CHARME VEM TODA FACEIRA

CUIDADO ESSA MULHER É UMA FEITICEIRA (BIS).

NHA, NHA.....

 

 

MARIANA: JOVEM CORAÇÃO

 

HÁ TANTO TEMPO EU ESTOU,

ESPERANDO UM GRANDE AMOR

PARA TIRAR DA SOLIDÃO

MEU JOVEM CORAÇÃO.

QUE SEJA INTELIGENTE

BONITO DEMAIS,

ME CUBRA DE BEIJINHOS

COMO UM BOM RAPAZ

UM JOVEM CAVALHEIRO

É TUDO QUE EU QUERO

ME AME COM TERNURA

ASSIM EU ESPERO.

MARIANA, MARIANA, MARIANA....

 

 

PASSA O CHAPÉU

 

OS PALHAÇOS TROVADORES VEM PEDIR

UMA AJUDINHA PARA A TRUPE CONTINUAR

DISTRIBUINDO ALEGRIA PRA VOCÊS

NESSA PLATÉIA A AVAREZA NÃO TEM VEZ

 

PASSA O CHAPEÚ

UM DINHEIRINHO MEU IRMÃO

PASSA O CHAPÉU

ABRA O SEU CORAÇÃO

 

 

FORRÓ DO HARPAGÃO

ARREPANHADO, PÃO DURO, CANGUINHAS, CANHENGUE, FOMINHA, MIGALHEIRO, SOMÍTICO...

NÃO DÁ ADEUS PRA NÃO ABRIR A MÃO, É O SEU HARPAGÃO, É O SEU HARPAGÃO.

CHICANEIRO, SORRELFA, SOVINA, UNHA-DE-FOME, ZURACO, RESMELENGO, REZINHA...

NÃO DÁ ADEUS PRA NÃO ABRIR A MÃO, É O SEU HARPAGÃO, É O SEU HARPAGÃO.

 

MÃO DE FINADO, É MUQUIRA, É MÃO-DE-VACA.....

 

NÃO DÁ ADEUS PRA NÃO ABRIR A MÃO, É O SEU HARPAGÃO, É O SEU HARPAGÃO.

CHULA DA DESPEDIDA

O SOL SE FOI

LÁ VEM A LUA

NÃO TEM MAIS PALHAÇO NO MEIO DA RUA

PAPAI E MAMÃE JÁ VÃO SAIR

VOVÓ BOTOU CAMISOLA DE DORMIR

 

E A MOÇA DA JANELA

JÁ FOI PRA CAMA DELA

E A NEGA DO PORTÃO

FUGIU COM O CAPITÃO

 

OS TROVADORES JÁ VÃO EMBORA

BOA NOITE MEU SENHOR

BOA NOITE MINHA SENHORA

JÁ ESTÁ NA HORA DE PARTIR

ANO QUE VEM NÓS VOLTAMOS AQUI.

 


PS:  As fotos desta postagem são de Wagner Mello
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