OSAMBA: LETRA E MÚSICA. CANTE E DANCE!  escrito em quarta 20 janeiro 2010 05:07


BOLE BOLE – CARNAVAL 2010

“Os Palhaços Trovadores: a poesia do riso na passarela do samba”

Autoria: Vetinho e Edson Ary

Intérprete: Ademar Carneiro

                                 

Me leva sonho meu, me leva no teu sonhar

No sonho que renasceu, sonhando em não acordar

 

Chegou meu Bole Bole na cadencia dos tambores

Sorria Belém, está tudo bem

Nós somos os Palhaços Trovadores!

 

Em brincadeira a noite inteira, espetáculo de amor

Em toda parte, “Commedia dell’Arte”

O Artista se inspirou: em Arlequim, em Colombina

Ser Clown é mesmo assim, o show nunca termina

 

Teatro à luz da lua, estrelas vêm brilhar

No picadeiro da rua, é chuva de cultura popular

 

... E a vida fica colorida com alegria

No esplendor da avenida, em poesia...

 

As cenas da cidade, no enredo vem satirizar

Se o dia dia é fantasia, vamos desfilar

 

Ô ô ô ô, folia, magia do Carnaval

É o meu Guamá na euforia

Dessa Trupe Genial

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NADA DO QUE FOI, SERÁ... SERÁ?  escrito em quarta 20 janeiro 2010 04:58

 

Seguimos com os ensaios na Escola de Teatro. As duas semanas do mês, que pretendíamos de pique, com ensaios corridos e todo o elenco reunido, não foram como esperávamos. Bem ou mal aconteceram e, bem ou mal, fechamos o espetáculo: “O Mão de Vaca” agora tem começo, meio e fim. Mas ainda não sabemos que tamanho ele tem. Espero que consigamos ter uma idéia, pelo menos, desta medida esta semana que corre. Nosso maior problema: falta de atores por problemas profissionais, de saúde ou amnésia.

Os figurinos estão prontos e devidamente sendo “ajustados” pelo queridíssimo figurinista Aníbal Pacha. Ele tem realizado verdadeiros achados que têm me deixado muito satisfeito. Estou muito feliz com o resultado de seu trabalho, com o verdadeiro sentido de parceria, de criação compartilhada, companheirismo. Aníbal sempre foi colaborativo e para mim é um conforto – um luxo! – tê-lo ao lado. Pergunto tudo que posso perguntar a ele. E me deleito quando vejo que ele se entrega ao prazer espectador da cena e ri frouxamente um riso gostoso. Rio junto, compartilho.

Estamos também cumprindo temporada de nosso singelo brinquedo de carnaval: “Ó, abre alas!”. Parte das apresentações, em bairros afastados do centro, fazem parte do prêmio Myriam Muniz 2008/09 que ganhamos. Nos apresentamos no domingo, dia 07, na sede da escola de samba Bole-bole, do Guamá. Nós, os Palhaços Trovadores, somos enredo da escola este ano e propusemos a apresentação em sua sede, seu barracão, como forma de nos apresentarmos à comunidade do bairro, as brincantes da escola. E foi perfeito, a apresentação que começou com certo estranhamento, ganhou o público e foi uma animação total, aquecendo a todos para o cortejo que se seguiu, com brincantes  e palhaços pelas ruas do bairro do Guamá, na maior animação. O samba está lindo e postarei aqui a letra e tentarei postar a música também.

Estamos superfelizes com a homenagem, ao que tudo indica a primeira feita por uma escola de samba a um grupo de teatro de Belém. E feliz fiquei ao ver alunos e ex-alunos da Escola de Teatro e Dança (alguns meu ex-alunos de clown) compondo a comissão de frente, esta dirigida por um ex-trovador, ex-aluno e agora professor da ETDUFPA, o amigo Beto Benone. Também na comissão Sueli Brito, a palhaça Chorona, da primeira fornada de Trovadores, hoje integrante da troupe dos Notáveis Clowns. Tem mais, a carnavalesca, Claudia Palheta (a culpada de tudo) agora também é professora da escola. Maravilha, teatro e carnaval e circo juntos. Carnaval e academia. Bons tempos estes. Evoé, Baco!

Aqui vai o samba:

 

“Os Palhaços Trovadores: a poesia do riso na passarela do samba”

Autoria: Vetinho e Edson Ary

                                                                                                                                       Intérprete: Ademar Carneiro

Me leva sonho meu, me leva no teu sonhar

No sonho que renasceu, sonhando em não acordar

 

Chegou meu Bole Bole na cadencia dos tambores

Sorria Belém, está tudo bem

Nós somos os Palhaços Trovadores!

 

Em brincadeira a noite inteira, espetáculo de amor

Em toda parte, “Commedia dell’Arte”

O Artista se inspirou: em Arlequim, em Colombina

Ser Clown é mesmo assim, o show nunca termina

 

Teatro à luz da lua, estrelas vêm brilhar

No picadeiro da rua, é chuva de cultura popular

 

... E a vida fica colorida com alegria

No esplendor da avenida, em poesia...

 

As cenas da cidade, no enredo vem satirizar

Se o dia dia é fantasia, vamos desfilar

 

Ô ô ô ô, folia, magia do Carnaval

É o meu Guamá na euforia

Dessa Trupe Genial

 

Mais uma coisa, a arte do cartaz, encomendado do amigo e parceirão Henrique da paz ficou pronto e foi aprovado pelo elenco. A idéia e fazer uma impressão bem artesanal, com certa “sujeira” para dar assim, também aqui, a idéia de avareza e precariedade. Será rodado em papel artesanal, com fibras aparentes e em monocromia, provavelmente em tom sépia.

Nesta terça-feira, depois de um bom tempo, estávamos o elenco todo juntos e experimentamos pela primeira vez os personagens com seus respectivos figurinos e a maquiagem de cada palhaço, para ver como funcionava. No todo eu gostei muito do resultado e constatei que, realmente, os figurinos estão funcionando muito bem. Dei apenas alguns toques na maquiagem do palhaço Tchelo (Marcelo Villela), que vive o personagem principal, Harpagon: que fizesse uma sobrancelha grossa e forte, que sobressaísse aos óculos e uma boca mais reta e grande, apagando o desenho natural da mesma. Nas fotos que postarei poderemos ver todos juntos e alguns personagens em ação, com figurinos e maquiagens.

Agora a grande novidade deste post, a novidade do dia, é que marcamos nossa estréia! Então anotem: dia 25 de fevereiro, às 20h00, no anfiteatro da Praça da República, os Palhaços Trovadores apresentam: O MÃO DE VACA.

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Adeus ano velho, feliz ano novo...  escrito em segunda 11 janeiro 2010 03:39

Final de ano, muitas festas. Antes do Natal não conseguimos realizar bons ensaios, o elenco nunca esteve completo. Mas fechamos o figurino, agora só faltam detalhes, envelhecimento, remendos etc. Um bom achado foram os presentes ganhos da amiga Maria Sylvia, diretos de Paris: bigodes postiços. Ficaram ótimos nas palhaças que fazem papéis masculinos e resolvemos adotá-los.

O ano novo chegou e com ele as chuvas e então tomamos uma decisão em nosso primeiro encontro do ano. Suspenderemos, por enquanto, os ensaios abertos em função das chuvas, mas também para podermos concentrar mais os ensaios, sem muitas interferências externas, avançando assim mais o processo. Estamos na Escola de Teatro e Dança, cuja direção tem sido uma grande parceira, tem nos dado um apoio fundamental.  Assim que o espetáculo estiver mais ajustado, redondinho e afinado, com os atores mais seguros, marcaremos ensaios abertos, desta feita com figurinos, maquiagem e tudo o mais. No momento, precisamos desta intimidade maior, de ensaios mais puxados, com mais tempo.

Definimos também o mês de março para nossa estréia, completando assim um ano de trabalho.

 

 

 

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NADA SEI. MAS VAMOS EM FRENTE!  escrito em quarta 30 dezembro 2009 05:51

Um dia, ainda moleque, eu vi uma peça de teatro em um circo, A escrava Isaura, lá onde nasci e cresci, Macapá, cidade nde a televisão chegou quando eu já tinha 14 anos, e já era o ano de 1975. Fiquei impressionadíssimo com o drama daquela escrava, atento às questões ali abordadas e muito curioso com aquela maneira de contar uma história. Era tão mal feito, mas tão maravilhoso para mim naquele momento...

Eu queria ser cientista quando pequeno. Depois, encasquetei de ser veterinário, apaixonado por cães que era (hoje tenho dois). saí de casa às vésperas de completar 18 anos, vim estudar em Belém, fazer vestibular para medicina veterinária, o que fiz e, claro, não passei. muita química, física... pra que?

sonhava ser diretor de cinema também. Achava o máximo. E resolvi ser artista, fiz oficina de teatro porque descobri que se fazia um bom teatro em Belém, sim. Na falta de um curso melhor, fiz vestibular para letras e, aos trancos e barrancos me formei depois de 11 anos. Curso grande esse meu. Trabalhei como auxiliar de secretaria, está na minha carteira de trabalho - meu primeiro emprego! Fui locutor por um tempo, repórter de jornal por outro tempo. Passei longa temporada em uma fundação cultural. Sempre trabalhando paralelamente no teatro. Fui ator, mas desejava ser diretor. E fui aprendendo o ofício. teatro sempre, empregos diversos aqui e ali. Virei professor de tetaro na universidade, virei diretor de teatro.

Outro dia, perguntei a um professor que se formou em Direção Teatral como era esse curso, pois sou diretor sem formação acadêmica. Ele não me deu resposta esclarecedora e eu continuo sem saber como se forma um diretor de teatro.

Vezenquando acho que não sei dirigir coisíssima nenhuma. Sempre que começo a trabalhar em algum espetáculo novo, juro, não sei por onde começar. Me olho no espelho e digo a mim mesmo: não sabes nada, cara, não sabes dirigir coisa nenhuma, és um imbusteiro!

Sigo com esta certeza, e vou indo, propondo coisas, ouvindo os atores, às vezes sem saber por onde começar, chagando ao ensaio sem nada na cabeça, nada no papel, nada: branco total. Aí dá um estalo, proponho algo ou alguém propõe ou um acidente acontece e a gente vai brincando com aquilo e... Ou eu começo do básico do básico e aquilo vai acontecendo, crescendo e, de repente, estamos todos ali criando, jogando, transformando aquele vazio, aquele nada, em algo pulsante. E os atores agem, fazem coisas, erram e os erros me impulsionam e vejo ali e acolá coisas e estimulo os atores e eles, sim, eles são sempre maravilhosos, não importa se erram, dão furo, fazem corpo mole, mas naqueles momentos em que estamos suando, jogando, jogando, jogando, a centelha acende, a coisa acontece e eu, estasiado, gozando o prazer da criação, o poder demiúrgico da criação, nesses momentos, junto com os atores maravilhosos, nesses momentos eu me sinto e acredito que sou um diretor de teatro.

Se um dia me perguntarem, como perguntei ao professor, não saberei responder como se forma um diretor de teatro. Talvez um dia seremos extintos, prega-se muito hoje a dramaturgia do ator, o ator-criador e outras coisitas mais. Acredito nisso. Mas meu tempo é esse, o do diretor, que se descabela, que aponta coisas aqui e ali para o ator, que joga com ele, que faz das tripas coração para que aquele ser divino, o ator - o ator é um ser divino! -, entenda o que ele, o diretor, um ser menor, terreno, humano, que se preocupa com coisas pequenas, que o ator entenda o que ele diretor deseja que ele ator faça e assim alcance não sei como o poder dos deuses. Se é que alcança mesmo. Acho que em muitos casos alcança.

o Diretor é o inferno do ator, mas também o seu céu. O ator é sempre o inferno do diretor, mas é nesse inferno que o diretor arde de prazer, chega ao êxtase.

Eu adoro dirigir teatro. Eu não sei fazer outra coisa com tanto prazer e não sei fazer isso bem, mas adoro fazer. Não sei como sei fazer, mas sei que faço sempre, mesmo quando digo que quero largar tudo, que não aguento mais, que vou embora e parar e vou morar numa cidadezinha do interior e vou dar aula na escolinha da cidade e viver modestamente... e minha cabeça fica rodando e rodando e rodando e pensando na próxima peça e na próxima cena e em como resolveria tal e tal cena que vi em tal e tal peça de tal e tal diretor... Eu penso e penso sempre em espetáculos de teatro.

O teatro é uma loucura. O teatro é a minha loucura!

Estou sofrendo muito com o processo d'O Mão de Vaca, nosso Avarento. Mas estou amando também, tudo o que criamos, o que conseguimos erguer até então. É muito, é pouco? Não sei. É bom, vai funcionar, agradar às pessoas? Não sei. Vai seu mais um sucesso do Grupo Palhaços Trovadores? Não sei. Vamos chegar ao fim, vamos conseguir terminar? Não sei.

Só sei que nada sei. Mas vamos fazendo.

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A RUA É DELES!  escrito em quinta 10 dezembro 2009 03:04

  • Terça-feira, 10 de dezembro, dia de Nsa. Senhora da Conceição, para uns, e Oxun, para outros. Dia de Ensaio Aberto de "O Mão de Vaca" no anfiteatro da praça da República. Estava tendo Seminário de Pesquisa do doutorado, na segunda e na terça. Ao final, rumei para casa, acompanhado pelo professor coordenador do seminário, Daniel Marques, diretor da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, promotora de nosso doutorado. Veio também conoesco o bailarino e professor da ETDUFPA, meu colega, Jaime Amaral.

    A noite prometia! Chegamos ao anfiteatro, um grupo de capoeira se apresentava. Valei-me Nossa Senhora da Conceição! Felizmente tinha uma amiga na roda, que me informou que eles já estavam terminando. Pessoal legal, alto astral, mas esse estar terminando demorou mais de meia hora. Alguns ficaram para ver o ensaio. Nosso figurinista, Aníbal Pacha, ajustava roupas, peitos e chapéus. Um ator do grupo não pode ir e com ele ficou boa parte do material do ensaio. Ai, vida bandida.

    Mas os amigos vieram, Maria Regina – queridíssima amiga que estava fora, estudando em Portugal, opa! - Carlos Sampaio, Fernando, Luana e até a Fernandinha (uma figurinha de 8 anos que quer ser atriz. E vai ser!). Outros amigos também apareceram. Os curiosos se acomodaram para assistir, enquanto o grupo terminava de se arrumar, fazia aquecimento etc.

    E eles, claro, os Exús estavam soltos na praça. Apareceu um tão louco, tão louco que entrou no anfiteatro com um tronco de mangueira (haviam tombado uma mangueira) e o arriou ruidosamente no chão. Ele cheirava solvente, que guardava em uma garrafinha. Susto, tensão. “A rua é deles”, disse Alessandra. E assim o ensaio começou, depois que decidimos ir passando as cenas que dessem, limpando-as. Vezenquando uma criança entrava em cena na disparada numa bicicletinha, daquelas com duas rodinhas de apoio. Os pais lá, assistindo tudo. E fomos em frente.

    Daniel, que já sabia do projeto e do processo de montagem pelo seminário e também havia conversado um pouco comigo, a pedido sentou a meu lado e participou bastante, animado, dando várias sugestões. Foram boas sacadas e me fez refletir que, vezenquando, é muito bom ter um colega ao lado – Daniel é também diretor, formado em direção teatral pela Unirio/RJ, com mestrado e doutorado na mesma universidade: é um estudioso do teatro popular. Durante nosso papo final também comentou alguns detalhes com os atores e disse, usando um termo que eu havia usado antes, ter também gostado do “desenho” do espetáculo. Aqui, agradeço a presença do colega, que tive o prazer de conhecer. Veremos-nos em breve na velha São Salvador!

    O ensaio não foi bom, houve interferências demais. Para completar, no teatro Waldemar Henrique acontecia um show de rock pesado, cujo som vazava para a praça, pois as janelas estavam abertas, já que o ar refrigerado do teatro não funciona há tempos. Além das interferências, muitas cenas não aconteceram como deveriam, por falta do ator e do material que ficou com ele. E, pra piorar, um grande mal acomete parte do grupo: a falta de memória. Isto é: o texto não está decorado, seguro, o que nos impede de lapidar as marcações das cenas, trabalhar os detalhes, o ritmo, a interpretação, o jogo do palhaço e tudo o mais. Fica tudo muito frouxo, parando muito, algumas vezes enfadonho.

    Precisamos de ensaios mais longos e recolhidos, sem deixar de fazer os ensaios abertos. Foi sugerido por nosso visitante de fora, o professor Daniel Marques, mas já estamos falando nisso faz tempo, só não conseguimos ainda abrir um espaço em nossos tantos afazeres.

    “Vida de artista é assim!”

     PS: No dia 08 de dezembro tb comemoramos o aniversário de nossa cadela: Khadija da Conceição, uma autêntica Pastora de Moskou (para alguns, viralata de Mosqueiro)

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