Tem gente que vem porque leu no jornal, ouviu no radio ou viu na televisão. Tem gente que está ali na praça sem um motivo aparente. Tem gente que faz caminhada diária e ao final para pra ver. Tem gente que já ia pra casa e ficou. Tem gente que paquerava e parou ali. Tem gente louca, completamente louca que se acalmou e ficou assistindo, rindo um riso doido, doido. Tem gente miúda que ri gostoso, à frouxa, e gente miudinha, que parece nada perceber. Tem muita gente amiga, mas tem muita, muita gente que nunca vi mais gorda. Tem gente magra, de fome, gente que vive pela rua. Tem gente que cheira e delira. Tem gente que trabalha na praça mesmo. Tem gente que vê um pouco e vai embora. Tem gente que veio ver só um pouquinho, fica, não vai mais. Tem gente fotografando, gravando, filmando, babando. Tem gente que não para, vai e vem o tempo todo. Tem gente apaixonada, olhando fixo num ponto só. Tem gente que grita, tem gente que ri, tem gente que ri muito, tem gente que fica séria – ri pra dentro, será? Tem gente que tosse, tem gente que late. Tem gente que conversa e nem quer saber o que está acontecendo. Tem gente que chega no fim. Tem gente assim-assim. Tem gente que vem todo dia. Tem gente que diz que vem e não vem nunca. Tem gente nova, tem gente velha. Tem muita gente rindo, tem muita gente aplaudindo.
Que bom fazer teatro pra essa gente toda!











