Tem gente! (obrigado, minha gente!)  escrito em sexta 05 março 2010 02:57

Blog de unha-de-fome :UNHA-DE-FOME, Tem gente! (obrigado, minha gente!)

Tem gente que vem porque leu no jornal, ouviu no radio ou viu na televisão. Tem gente que está ali na praça sem um motivo aparente. Tem gente que faz caminhada diária e ao final para pra ver. Tem gente que já ia pra casa e ficou. Tem gente que paquerava e parou ali. Tem gente louca, completamente louca que se acalmou e ficou assistindo, rindo um riso doido, doido. Tem gente miúda que ri gostoso, à frouxa, e gente miudinha, que parece nada perceber. Tem muita gente amiga, mas tem muita, muita gente que nunca vi mais gorda. Tem gente magra, de fome, gente que vive pela rua.  Tem gente que cheira e delira. Tem gente que trabalha na praça mesmo. Tem gente que vê um pouco e vai embora. Tem gente que veio ver só um pouquinho, fica, não vai mais. Tem gente fotografando, gravando, filmando, babando. Tem gente que não para, vai e vem o tempo todo. Tem gente apaixonada, olhando fixo num ponto só. Tem gente que grita, tem gente que ri, tem gente que ri muito, tem gente que fica séria – ri pra dentro, será? Tem gente que tosse, tem gente que late. Tem gente que conversa e nem quer saber o que está acontecendo. Tem gente que chega no fim. Tem gente assim-assim. Tem gente que vem todo dia. Tem gente que diz que vem e não vem nunca. Tem gente nova, tem gente velha. Tem muita gente rindo, tem muita gente aplaudindo.

Que bom fazer teatro pra essa gente toda!

permalink

Merda!  escrito em quinta 04 março 2010 17:55

Aconteceu, estreamos! E já faz uma semana. Hoje voltaremos à Praça da República mais tranqüilos, com a sensação do dever cumprido ou pelo menos parcialmente cumprido. A estréia foi muito bonita. Ganhamos matéria de capa nos cadernos de cultura dos principais jornais. A divulgação via internet e twitter foi intensa, tínhamos um grande público (anfiteatro lotado) e a lua estava lá, num quarto-crescente sorriso.

 Muitos amigos na noite de estréia, não dá para citar todos. Mas preciso registrar presenças muito caras: Maria Sylvia Nunes, Maria Regina Maneschy e João de Jesus Paes Loureiro, o meu orientador. Legal também ver caras conhecidas dos ensaios, os nosso vizinhos, gente que está sempre na praça. Disse em uma entrevista (http://www.ecleteca.com.br/beta/) que espetáculo cômico tem um termômetro imediato: a risada do público. E esse termômetro funcionou bem na estréia e nos demais dias, que contaram com público cada vez maior.

Agora é um outro momento. O espetáculo vai se ajustar aos espaços. Sim, porque são vários espaços. O espaço da praça, o espaço interno dos atores, o espaço dos espectadores e os espaços que interligam estes dois, além dos futuros espaços outros. Agora o jogo se instaura, define e redefine suas regras, fazendo com que os jogadores se lancem na aventura de jogar com mais propriedade. Momento de apropriação, domínio... momento de adentrar o labirinto sem medo posto que a mão segura firme o invisível fio de Ariadne.

Um espetáculo nunca está pronto. Um espetáculo é sempre um novo espetáculo a cada apresentação. Como será hoje, depois de quatro dias de descanso, relaxamento? Depois dos comentários elogiosos? Difícil saber. Melhor deixar o frio correr na espinha sempre, como se fora cada noite uma noite de estréia.

Estou feliz.

permalink

o fim é sempre um novo começo.  escrito em quinta 25 fevereiro 2010 02:07

Blog de unha-de-fome :UNHA-DE-FOME, o fim é sempre um novo começo.

Tudo pronto, hoje é o dia da estréia. Mas estará tudo pronto mesmo? Quando é que no teatro tudo está pronto? E será que algum espetáculo de palhaços algum dia ficará pronto? Penso que o fim de tudo é sempre um novo começo.

Concluímos uma parte de nosso trabalho, mais uma. Dia 05, durante nossa primeira temporada, completaremos um ano de trabalho. Quantas histórias neste ano todo de trabalho, conquistas, descobertas, brigas... Tem muita emoção em um processo de criação, sempre.

Para nós, que buscamos além de criar um espetáculo procurar entender e compartilhar com nosso público como se processa esse nosso modo “trovador” de fazer teatro com palhaços, esse “fim” é sim o começo de uma longa história ainda. Selecionar dados, escrever, outras fontes de idéias e pensamentos para conversar com nossa escritura. Estou usando o pronome na primeira pessoa do plural porque acredito que esta escritura é coletiva, uma voz de muitas vozes. É um trabalho plural mesmo.

Amanhã a obra estará exposta, posta à prova diante do público. Abrindo-se para as muitas leituras, do público e também nossas que estaremos ali, fazendo-a e lendo-a ao mesmo tempo, compartilhando com o público a fruição, cada um em seu lugar: o lugar do que faz e vê (sente) e o lugar do que olha e faz também a obra, a constrói e reconstrói com esse olhar, esse sentir a obra. Que as gargalhadas destes sejam o vento a inflar as velas daqueles, a comandar o barco-obra em águas revoltas e misteriosas. Barco que vai transmudando-se a cada encontro, a cada rio de gente a acompanhar essa viagem, que não tem mais fim, não tem mais fim, não tem mais fim... Amanhã a viagem começa, mas só começa.

Tomara esteja uma noite linda. E que a lua sorria também lá no céu.

 

Obs: obrigado Palhaços Trovadores, por me permitirem segurar o leme deste veleiro!

MERDA!

 

 

permalink

Deu Bole-bole!  escrito em terça 23 fevereiro 2010 19:13

Blog de unha-de-fome :UNHA-DE-FOME, Deu Bole-bole!

 

Égua, ganhamos! Exclamei assim que soube da notícia de que a Bole-bole, havia ganho o carnaval deste ano. Já estava superfeliz com a homenagem, o título me deixou exultante. É demais, é muito, não queríamos tanto. Mas ganhou a Bole-bole, ganhou a carnavalesca Claudia Palheta, ganhou o bairro do Guamá, ganhamos todos. Os Palhaços Trovadores são um grupo de 14 atores-palhaços e muitos parceiros, amigos, colaboradores, que curtem, gostam de nosso trabalho. Tem gente que vai assistir um ensaio, gosta e fica indo, rindo, quando vemos está carregando material conosco. Ganhamos pouco dinheiro com o que fazemos, mas ganhamos muito prazer em divertir as pessoas, em vê-las rindo felizes, esquecidas dos problemas, talvez, ou refletindo sobre eles, mas com alegria, cabeça fria, com mais discernimento para resolvê-los, enfrentá-los. Talvez.

Corri para a sede da Bole-bole, estava um sol abrasador, igual aquele sol do carro alegórico, quente e alegre. Poucas pessoas ainda na Pedreirinha, rua onde fica a sede da escola. Deram-me logo uma cerveja e vi que a comemoração prometia. Quando os dirigentes da escola chegaram com o troféu, a imprensa também chegou junto, e todo mundo tomou conta da rua. Os palhaços, trovadores ou não, estavam felizes. Fiquei olhando de longe, feliz com a alegria dos outros. E tomando cerveja, claro. A sede estava fechada, ao falar com o Vetinho, diretor da escola e um dos autores do samba, disse-me ele que havia caído uma parte do teto, na entrada da escola. Respondi: “Ah, caiu também o forro do hall de entrada do Theatro da Paz!”. A maior e mais luxuosa casa de espetáculos da cidade sofreu uma avaria, por que a mais feliz casa de samba da cidade não sofreria também?

Abriram a sede e o povo entrou. A comemoração foi linda! Muita cerveja e muito samba. Bebi, sambei, tomei banho de chuva, extravasei. O teatro consagrou a Bole-bole na passarela do samba e o samba trouxe mais alegria aos corações dos Palhaços Trovadores.

 Disse para alguns amigos descontentes, amigos mesmo: carnaval tem todo ano, este ano é da Bole-bole. Ano que vem quem sabe outra escola ganha?

Só sei que cheguei às 3 da matina em casa. Evoé!

 

permalink

No picadeiro da rua: é chuva de cultura popular!  escrito em terça 16 fevereiro 2010 23:58

 

Teatro à luz da lua, estrelas vêm brilhar! Aconteceu o desfile. Era sábado e chovia. Estava tudo lindo e passear entre as alas antes do desfile foi emocionante: as pessoas estavam felizes, com uma energia incrível. As fantasias, lado a lado, davam um colorido, uma vida à escola. Nosso carro, nossa, um luxo. Quando subimos todos os palhaços, lindamente vestidos, todos, e vimos a escola lá de cima, as pessoas olhando, falando conosco... muita emoção, coração na boca! “aí é que eu me refiro...”. O samba começou, os pelos se eriçaram, o coração entrou no compasso do surdo de primeira, respondeu com o de segunda, tum-tum-tum-tum...

Entoamos a oração do palhaço (o clown nosso) e lançamos no ar nosso grito de guerra: Palhaços Trovadores! Oi, oi, oi!

Caímos no samba e tudo o mais foi alegria, emoção, risos e choros. Parecia uma estréia para um grande e ruidoso e carinhoso público. Entramos na passarela, momento fugaz, mas que jamais será esquecido. Ainda aquece nossos corações: chegou meu bole-bole, na cadência dos tambores, sorria Belém, está tudo bem, nós somos os palhaços trovadores!

Amanhã tem a apuração, mas nenhum resultado, bom ou mau, empanara o brilho da poesia do riso na passarela do samba.

Evoé!

permalink
|

Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para unha-de-fome

Precisa estar conectado para adicionar unha-de-fome para os seus amigos

 
Criar um blog